Capítulo 26 do livro Manual sobre Lobby e Políticas Públicas, editado por David Coen e Alexander Katsaitis.
Autores:
Manoel Leonardo Santos, Ciro Antônio da Silva Resende e Pablo Silva Cesário
Resumo:
Este capítulo apresenta uma descrição do sistema de grupos de interesse no Brasil contemporâneo e destaca suas transformações mais recentes. Nosso principal argumento é que, desde a redemocratização em 1988, o sistema passou por um aumento considerável no pluralismo e ainda é permeado pelo modelo corporativista. Assim, apesar do processo de pluralização, persiste no Brasil a percepção de uma forte assimetria de influência em favor de grupos poderosos. Nossos dados provêm de pesquisas de opinião recentes. Tanto profissionais de grupos de interesse quanto cidadãos brasileiros têm a percepção de que grupos poderosos, ligados aos setores do agronegócio, financeiro e industrial, possuem uma capacidade comparativamente maior de influenciar o processo decisório em prol de seus interesses. Buscamos demonstrar que, apesar das mudanças ocorridas, persiste uma incômoda continuidade na percepção de atores políticos e cidadãos em relação à assimetria de influência em favor de certos grupos, um resultado exatamente contrário às expectativas. A evidência dessa contradição pode ser vista em números que indicam a abertura do sistema político a novos atores sociais, especialmente no Poder Legislativo, o que, no entanto, contrasta com os resultados de pesquisas de opinião realizadas recentemente entre lobistas profissionais, agentes de defesa de direitos e cidadãos. Além disso, apresentamos algumas considerações da agenda de pesquisa sobre o tema.