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15 de março de 2026
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O “HOMEM ERRADO” DOS L.O.R.D.S: um objeto gerador de contranarrativas

Autor: Leandro Vacaro

Resumo:

Esta pesquisa busca compreender o potencial comunicativo de um objeto pertencente ao acervo do Museu da Cultura Hip Hop do Rio Grande do Sul (MUCHRS), a capa do álbum do grupo musical porto-alegrense de RAP L.O.R.D.S., intitulada “Homem Errado”. A arte e os textos desta capa narram, a partir da percepção dos integrantes do grupo, os acontecimentos que envolveram o assassinato de Júlio Cesar de Melo Pinto, homem negro que foi confundido com os assaltantes que invadiram um supermercado na Zona Leste de Porto Alegre em 1987, por agentes da Brigada Militar. A investigação centrou-se na metodologia de análise bibliográfica e documental e de entrevistas semi-estruturadas com profissional do MUCHRS, com a viúva da vítima e com integrante do grupo L.O.R.D.S à época do lançamento do disco, propondo uma ressignificação do objeto (que atualmente integra a exposição de longa duração do MUCHRS, sobre as origens do Movimento Hip Hop do Rio Grande do Sul), que possibilite a comunicação para os frequentadores da instituição e da comunidade em geral, desse episódio exemplar de racismo e violência policial contra a população negra e periférica da cidade de Porto Alegre. Para o embasamento teórico, buscou-se interligar os seguintes conceitos: objeto gerador (Ramos, 2020), objeto-devir (Brulon, 2014), musealização (Desvallés; Mairesse, 2010 e Loureiro; Loureiro, 2013), memória coletiva (Pollak, 1989, Gondar, 2016 e Tolentino, 2018) e racismo estrutural (Moore, 2007, Campos, 2016 e Almeida, 2019). A investigação ressaltou as capacidades comunicativas, culturais e educativas do objeto, e concluiu-se que o mesmo pode ser um objeto-gerador na construção de novos discursos e entendimentos a respeito do crime que retrata e, sobretudo, sobre o racismo que integra a estrutura social brasileira, ensejando atividades educativas e culturais que colaborem no Ensino para Relações Étnico-Raciais (ERER).