Autor:
Victor Garcia Miranda
Resumo:
O presente texto visa a analisar o processo operacional do Plano Real e seus efeitos mensurados na economia e na política brasileira no momento de existência da chamada âncora nominal baseada na paridade cambial entre a moeda nacional e o dólar (1994-1999). Interpreta-se o Plano Real como projeto que buscava a estabilidade da economia por meio do combate à hiperinflação e que esteve envolvido também num arranjo conjuntural específico, que demanda interpretação histórica – não somente técnico-econômica. Partindo do pressuposto de que houve influência da teoria neoclássica da escolha de instrumentos e objetivos de estabilização macroeconômica de Robert A. Mundell (1932-), o presente texto busca apurar a manifestação histórica de efeitos econômicos e políticos do Plano Real e se houve coincidência entre o que fora escrito por um teórico que influenciou a formação dos “pais do real” e a realidade da experiência de âncora cambial desenvolvida no Brasil a partir de 1994. A pesquisa realizada indica que houve profunda incoerência entre a presunçosa teorização de Mundell e os efeitos historicamente encontrados, desmontandose a concepção de infalibilidade das teorias neoclássicas. Pelo contrário: tais efeitos provocaram aprofundamento da condição de dependência do país diante do cenário do capitalismo internacional daquele momento, por meio do agravamento da crise no balanço de pagamentos e da financeirização do déficit público da União.