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Na semana passada, o IBGE divulgou o PIB do terceiro trimestre do ano. O resultado foi frustrante. Crescimento negativo de 0,5% em relação ao segundo trimestre, o pior resultado em quatro anos. O crescimento para 2013 foi revisado para baixo, entre 2,15% e 2,5%.
 
Para piorar, a presidente Dilma Rousseff, em entrevista ao jornal El País, da Espanha, antecipou que o IBGE revisaria os números de 2012. O crescimento de 0,9% seria revisado para 1,5%. De fato, foi revisado. Mas para apenas 1%. A presidente cobrou, naturalmente, explicações do Ministério da Fazenda.
 
Porém, de acordo com a última pesquisa Datafolha, as expectativas dos eleitores para a situação econômica do país e pessoal são mais otimistas do que as observadas no início de outubro. Em relação à economia brasileira, cresceu de 31% para 37% a parcela de brasileiros que preveem melhora. Quanto à situação econômica pessoal, a expectativa positiva é ainda mais alta: 56% acreditam que sua situação vai melhorar nos próximos meses, o que significa uma alta de nove pontos na comparação com a pesquisa anterior.
 
Esse quadro de otimismo, entre outros motivos, está ajudando na recuperação da popularidade da presidente Dilma Rousseff. Embora esse processo esteja em ritmo menor do que a expectativa do próprio governo, ele está ocorrendo. Entre o final de junho e novembro, a avaliação ótimo/bom do governo saiu de 30% para 41%. Por outro lado, a ruim/péssimo caiu de 25% para 17% (Datafolha).
 
O otimismo dos eleitores e a gradual retomada da popularidade da presidente podem ser explicados por alguns fatores. Primeiro, apesar do fraco desempenho da economia, o nível de emprego continua elevado. Segundo, a inflação se mantém dentro da meta. Terceiro, o discurso da oposição permanece pouco atrativo para a maior parte do eleitorado.
 
Os brasileiros, porém, demonstram preocupação com alguns indicadores econômicos e sociais. Segundo o último levantamento Datafolha, o percentual dos entrevistados que acreditam no aumento da inflação cresceu de 54% para 59% entre outubro e novembro. O mesmo aconteceu com o desemprego, cuja expectativa de aumento foi de 38% para 43% no mesmo período.
 
Por outro lado, houve um crescimento da expectativa no poder de compra dos salários (de 30% para 38% entre outubro e novembro). Apesar da preocupação com inflação e emprego, os brasileiros estão otimistas com sua situação econômica no futuro. O número dos que acreditam que sua situação vai melhorar cresceu de 47% para 56% entre outubro e novembro.
 
Entretanto, com a perda de confiança do mercado e do empresariado, o governo corre o risco de ver a popularidade reconquistada escorrer pelos dedos. Alguns resultados ruins na economia (como o do PIB) são, sem dúvida, notícias preocupantes. Sem falar nos efeitos negativos que alguns eventos futuros podem ter sobre a economia. é o caso da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o índice aplicado na correção da caderneta de poupança nos planos Verão, Bresser, Collor 1 e Collor 2 (impacto potencial de R$ 150 bilhões) e o risco de rebaixamento por parte das agências de classificação de risco.
 
Como se sabe, salvo um fato novo extraordinário, a economia é que vai definir as eleições de 2014. Com uma oposição fraca e desestruturada, Dilma ainda preserva, paradoxalmente, seu favoritismo.