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Consenso e reformas

Tão logo se proclame o resultado das eleições presidenciais, o novo governo deve começar a trabalhar intensamente. Para o bem do País, o ideal é que haja convergência de alguns vetores, como a organização de uma maioria de transição, um acordo em torno de uma agenda de reformas já postas e o início, em novembro, de votações no Congresso. Além de, simultaneamente, começar a construção de uma nova maioria governista.

Considerando a narrativa dos candidatos à Presidência, apenas Jair Bolsonaro (PSL), que lidera a campanha e deve sair vitorioso das eleições no segundo turno, parece consciente da necessidade de reformas amplas. Fernando Haddad (PT), colonizado pelo esquerdismo arcaico, se esquiva do debate de reformas com medo de perder votos em seus arraiais tradicionais.

Em sendo mais do que necessário enfrentar as reformas, como fazê-lo? O caminho que proponho já está sendo pensado por algumas lideranças políticas. O primeiro passo é criar uma convergência a partir de temas da reforma. A crise fiscal vai exigir corte de despesas, aumento de tributos, redução de outros e aprovação de uma Reforma Previdenciária.

O novo governo deve colocar sua agenda em movimento e negociar com os pontos de sustentação política no Congresso. Em sendo Bolsonaro, seu ponto de partida será bem confortável, já que cerca de 255 deputados deverão aderir à sua base política.

Em resumo: o ponto de partida do novo governo será organizar o debate logo após as eleições. Para isso, uma agenda mínima deverá ser posta, acionando-se o atual governo para que apoie as votações. Idealmente, setores da equipe econômica devem ser mantidos, ainda que temporariamente, para que o ambiente econômico não sofra sobressaltos.

Com o apoio do atual governo e a apresentação de uma agenda temática, os partidos que apoiarem tal agenda deverão se colocar de prontidão para as votações. Nesse sentido, a colaboração com o comando do Congresso será fundamental. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (MDB-RJ), e o do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), têm imensa responsabilidade na agilização das votações que são urgentes para o futuro do País.

Caso o novo governo revele responsabilidade na gestão econômica, coragem para enfrentar o desafio fiscal e disposição para melhorar o ambiente de negócios, o Brasil poderá dar início a um ciclo virtuoso de crescimento econômico e desenvolvimento social de grandes proporções.