Lobby para Reduzir o ‘Custo Brasil’: As Estratégias Políticas dos Empresários Brasileiros
13 de maio de 2010
COLÔMBIA: Gastos adicionais são aprovados para ajuda humanitária
1 de janeiro de 2011
Exibir tudo

A Referenciação Catafórica: Uma proposta de categorização e análise

Autor:

Maria José da Silva Fernandes

Resumo:

Esta pesquisa apresenta um estudo sobre um dos mecanismos de coesão, a referenciação catafórica, que se caracteriza por apresentar uma forma remissiva antes de apresentar um referente textual, ou seja, uma entidade é evocada antes de ser introduzida no cotexto. O objetivo deste trabalho é categorizar os tipos de catáfora e os referentes textuais. identificando as categorias dos elementos linguisticos usados cataforicamente e a função textual dos referentes. Para isso, foram analisadas as ocorrências catafóricas em que as formas remissivas são pronomes pessoais, demonstrativos e indefinidos, advérbios, numerais e expressões nominais, conforme apareceram no corpus. As catáforas encontradas foram classificadas em catáfora pronominal, nominal e associativa. A primeira apresenta como forma remissiva um pronome, numeral ou advérbio e apresenta um referente textual explicito; a segunda apresenta como forma remissiva uma expressão nominal, e o referente textual também é explícito; a terceira recebeu esse nome, por não apresentar explicitamente no texto o referente textual, visto que precisa ser inferido pelo leitor, a partir de pistas cotextuais e contextuais. A forma remissiva desse tipo de catáfora, de acordo com o corpus, é um pronome. Os referentes textuais foram categorizados em nomes comuns, nomes próprios, expressões nominais, periodos simples e compostos e textos inteiros. Foram analisadas também as funções dos referentes textuais. Os pressupostos teóricos adotados são os da Linguistica Textual, especialmente os estudos acerca da referenciação (MONDADA & DUBOIS, 2003), processo realizado negociadamente no discurso. O corpus desta pesquisa é composto por 193 textos jornalisticos, extraídos do jornal folha de São Paulo e da revista Veja, publicados no segundo semestre de 2008. Verificamos uma maior ocorrência da catáfora pronominal (55%), seguida da nominal (41,15%) e da associativa (3,85%). Na catáfora pronominal, a categoria mais atualizada é a dos pronomes pessoais; na associativa, os pronomes indefinidos. Na catáfora nominal, a configuração da expressão nominal mais recorrente é a composta por determinante + nome + modificador. A ocorrência maior da catáfora está no corpo do texto. Dentre as funções textuais dos referentes, as que são mais recorrentes são especificar, explicar e esclarecer. Podemos afirmar, tendo em vista os resultados alcançados, que a utilização da catáfora como forma de referenciar tem sido uma prática recorrente no meio jornalístico, de acordo com as referidas fontes, e que favorece. entre outras possibilidades, a organização e progressão do texto e a focalização de determinados segmentos textuais. Além disso, pode ser usada como forma de atrair a atenção do leitor.