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A política econômica mudou, mas resultados demoram um pouco
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A política econômica mudou, mas resultados demoram um pouco

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O pacote fiscal, a pronta aprovação da nova meta e o rápido afastamento de Romero Jucá anunciados pelo presidente Michel Temer foram bem recebidos pelo Congresso e pelo mercado, mas as medidas econômicas deverão demorar um pouco a dar resultados. Talvez entre seis e oito meses, o que implicará muita paciência, determinação e facilidade de comunicação, virtudes ainda não suficientemente demonstradas pelo governo interino.
Enquanto isso, continuarão a ser divulgados indicadores negativos sobre inflação, arrecadação, emprego, PIB, base monetária etc. Fica a impressão de que, apesar da mudança de governo e de política econômica, o resultado continua o mesmo, ou seja, limitado.
Para fazer a travessia entre o conturbado cenário atual e o futuro melhor que se imagina, não há outra arma a não ser saliva. Muito discurso e catequese, a exemplo do que o ex-presidente Fernando Henrique fazia como ministro da Fazenda nos meses que precederam o Plano Real, no primeiro semestre de 1994.
Tal como agora, havia desconfiança e pessimismo, depois de várias tentativas fracassadas de acabar com a inflação, que implicaram prejuízo financeiro para a população e, em consequência, mau humor generalizado.
O problema hoje é a reduzida margem de manobra do presidente interino, impedido de fazer muita coisa além de esperar, receoso de cometer um erro fatal. Desde que o afastamento da presidente se impôs, o vice-presidente teve que enfrentar uma série crescente de obstáculos.
Os mais importantes foram articular uma votação difícil, de modo a assegurar a governabilidade no momento seguinte; montar um novo ministério às pressas, atento ao placar registrado no plenário da Câmara; e enfrentar com equilíbrio o impacto das ações da Lava Jato e dos efeitos da depressão econômica. Quando o Senado acolheu o processo, começou a nervosa contagem regressiva rumo à sentença da presidente afastada.
Diferentemente do impeachment de Collor, há 20 anos, o julgamento por parte do Senado ocorrerá num clima de guerrilha, com a presidente afastada estrebuchando e a guilhotina da Lava Jato cortando cabeças a torto e a direito. Além disso, há o fantasma da ressurreição de Lula – por meio de nova eleição – rondando o mandato de Temer, a bordo de uma imaginária reviravolta de votos no momento do julgamento final, no plenário do Senado.
Poucos se dão conta de que a viabilidade de uma eventual volta de Dilma é muito pequena, pois, se ocorresse, ela continuaria sem condições de governar. Sem falar nas limitadas chances de Lula vencer uma eleição no momento de maior desgaste de sua imagem pública e da força eleitoral do PT. Os fatos se atropelam numa velocidade muito grande, afetando a capacidade de alguns políticos medirem seu alcance.
O relator do processo contra o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Conselho de Ética da Casa, Marcos Rogério (DEM-RO), agendou a entrega de seu parecer no início da semana. De posse do documento, o presidente do conselho, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), estaria apto para convocar uma reunião para o dia seguinte.
Essa reunião será destinada à leitura, discussão e votação do parecer. Poderia, então, haver pedido de vista por dois dias úteis, conforme previsto no regimento interno da Câmara. Nessa hipótese, a votação deve ocorrer entre os dias 7 e 9 de junho. A previsão do relator é que o processo possa ser analisado pelo plenário até o fim do mês.